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  • Carla Porto

Vida

Dia 07 de novembro completei 38 anos, esse é um período que me deixa mais reflexiva, além do meu aniversário o final do ano se aproxima e muitos questionamentos emergem na minha mente. No entanto, a cada ciclo encerrado o peso da vida tem se dissipado e a jornada tem se tornado mais leve, não porque as dúvidas, as inseguranças, as neuroses desapareceram, mas porque tenho me aceitado mais, me permitido ser quem eu sou, sem tantos julgamentos, vivendo os 365 dias em busca do melhor.

É engraçado falar do meu aniversário porque nunca gostei muito dessa data, essa sempre foi uma ocasião que me deixava triste, talvez pelo olhar estragado pela negatividade e pelo pessimismo. O significado sempre foi de perda, de fracasso por vê a vida passar e não conseguir vivê-la. Esse ano me percebi diferente, me propus viver um dia de contemplação da minha jornada e de agradecimento por tudo que já enfrentei e por está aqui, do jeitinho que eu sou.

As convenções sociais dizem que a essa altura da vida eu deveria está casada, com filhos, com uma carreira consolidada, equilibrada financeiramente, bem resolvida. Essas convenções nos impõem o fardo de uma perfeição cronológica que nem todas nós, quase nenhuma de nós eu ouso dizer, é capaz de cumprir. Quantas vezes me senti excluída, julgada, punida por não ser exatamente um ser convencional. Pior que isso foram às vezes em que me coloquei em um lugar de inferioridade, de culpa por não ter tido a capacidade de alcançar a vida perfeita. Na tentativa desesperada de ser bem resolvida, o que seria sinônimo de ser feliz, me perdi de mim, do meu propósito, dos meus sonhos, dos meus desejos.

Hoje tenho buscado com muito afinco me encontrar, aceitar que embora a sociedade acredite que para ser feliz eu preciso cumprir uma lista de exigências eu posso sim ser feliz apenas sendo quem sou, mergulhada na minha confusão, sempre em busca da minha melhor versão. Aliás, hoje a palavra que melhor me representa é “confusão”. Confusão de sentimentos, de pensamentos, de desejos, talvez por ter passado a vida reprimindo, escondendo tudo isso, com medo de ser inadequada hoje tenho que lidar com esses conflitos.

Mergulhada nessa confusão, muito distante da tão sonhada perfeição eu devo confessar que tenho muita gratidão a Deus, por me permitir viver essa jornada, por me permitir chegar a essa idade sendo apenas a Carla Cristina Sousa Porto, velha e louca como diz a música de Malu Magalhães. Quanto orgulho eu venho nutrindo pela minha jornada, que é apenas minha e não pode ser medida ou comparada a nenhuma outra. Falar de idade, de orgulho, de sentimentos, de pensamentos é um avanço e uma conquista tão grande para uma pessoa que sempre se envergonhou de ser só isso. Hoje eu me olho e vejo que sou tudo isso, quanta gratidão.

Por agora sou só GRATIDÃO.


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