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  • Carla Porto

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O que buscamos?

Para responder essa pergunta me voltei para o blog, reli tudo que registrei aqui e confirmei que a minha busca é pela liberdade. Escrever é uma libertação e hoje vi uma frase que representa isso, “escrevemos aquilo que não gritamos”. Não sei quem escreveu, mas esse blog é um símbolo deste alto falante que grita o meu desejo por liberdade.

Pensar a liberdade é um exercício bem interessante. O que é liberdade para você? Para mim é aquela sensação que se tem quando você está em um carro, viajando, olha uma paisagem bonita passando, abre o vidro e sente o calor do sol e o vento no rosto, é uma sensação de está em paz, de fechar os olhos, respirar fundo e sentir arrepiar com a brisa leve do mar. É a satisfação de não estar preocupada se está agradando, é poder sentir tudo que tem dentro de mim sem restrições ou julgamentos, sem pensar se é bom ou ruim, é poder olhar o horizonte e encher o peito de esperanças e sonhos, é não está satisfeita com o que eu tenho e acreditar que posso ter o mundo, é sentir sem medo de ser boba, diferente ou de ser incompreendida, é ter escolha e poder me escolher, é ter a certeza de que mais que acompanhar a evolução do mundo, preciso está no mesmo compasso da minha evolução.

Não sei o que você considera liberdade, mas pensar a liberdade é um passo importante para entender, não um conceito frio e distante, mas um sentimento, uma sensação, aquilo que passamos a vida tentando sentir. É também, um exercício para compreender o que nos impede de ser livres, quais são os nossos obstáculos, tudo o que precisamos nos dedicar para superar, e mais, é um processo para pecebermos o que queremos viver com essa liberdade, é evoluir.

Vivemos em uma época que sentir é ruim, ser vulnerável é fraqueza, ser de verdade é não ser adequado, ser autêntico é viver uma persona, quase um personagem. Nesse mundo ser livre é remar contra a maré, é recusar a liquidez da contemporaneidade, é não se contentar com a calmaria do raso e se arriscar nas profundezas, é recusar o encaixe, a forma, é querer se perceber e desejar ser você, mesmo que você não seja o que os outros esperam. Quando iniciamos esse movimento, essa viagem, não tem como voltar, não dá para apagar os registros que ficam quando sentimos, não da para fingir. Talvez por isso esse é um movimento tão assustador, e mesmo desejando estamos sempre fugindo.

Por um tempo achei que o que me faltava era sentimento ou permissão para sentir. Hoje vejo que sentimento é o que transborda em mim, o que está à flor da pele, com a intensidade de um furacão categoria 5. O que me falta então? Talvez a força para controlar o furacão e não ser despedaçada por ele, talvez a aceitação de que diferente da moda, dos costumes, da política vigente eu sinto e muito, talvez a clareza do caminho que eu quero trilhar com esses sentimentos, talvez me falte a segurança roubada pela busca da aceitação...Talvez, talvez. O que falta para você?

Por aqui continuo a minha busca, hoje mais consciente do que ontem e certamente menos do que estarei amanhã. As certezas não me acompanham mais, sigo apenas com as dúvidas e com o registro de que a minha sensibilidade tão sufocada, não me causa mais vergonha, me faz ser quem eu sou, me fortalece e não me enfraquece.

Desejo a todos a aventura da busca pela liberdade ou por aquilo que lhe falta.

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