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  • Carla Porto

FAROL

Como um farol que brilha a noite para iluminar os navegantes, algumas luzes nos direcionam na escuridão até a segurança da chegada. Nosso caminho muitas vezes está repleto de obstáculos que nos amedrontam, nos enfraquecem, nos entristecem, mas especialmente nesses momentos em que somos confrontados pela escuridão, contar com a claridade reluzente das nossas crenças é o que nos direciona para um lugar iluminado, o que nos permite encontrar com a nossa verdade, com o que de fato somos.

Imbuída pelo sentimento curativo do perdão e da reconciliação trazidos nesse tempo de páscoa, pela história viva do Cristo ressuscitado, eu tenho pensado muito a respeito de quais são as luzes, que como o farol, me guiam em meio a minha escuridão. Pensar a esse respeito significa em um primeiro instante assumir que não tenho controle sobre as intemperes da vida e que com certeza elas sempre irão surgir. O próximo passo dessa jornada é também um desafio, me permitir ser guiada, o que para quem sempre tentou controlar tudo por medo de ser ferida, é mesmo um grande passo.

Ser guiada pela fé em um Deus que se faz presente nos mistérios da vida, que é amor e misericórdia acima de tudo, pela fé na vida, pela fé em mim, nos meus sentimentos, nos meus instintos, nos meus desejos. Essa fé latente que existe dentro de mim e que muitas vezes é sufocada pelo medo, pela insegurança, pelo sentimento de inferioridade, de não merecimento, como o farol encoberto pelo nevoeiro.

Nesses últimos tempos tenho experimentado o perdão, que se inicia no auto perdão e se estende ao ato de perdoar as outras pessoas. Essa é uma luz que tem emergido na minha vida como a noite estrelada, que afasta o nevoeiro e permite ao farol brilhar. O tempo bom não retira as pedras do caminho mas revela cada obstáculo a ser ultrapassado e viver o perdão tem se mostrado ser o mais importante nesse clarear, uma parte do meu processo de libertação que tem me impulsionado em direção à calmaria.

Perdoar, me perdoar e perdoar a todas as pessoas que de alguma maneira deixaram em meu coração a mágoa e não o amor, perdoar a vida por nem sempre ser aquilo que eu gostaria, perdoar a minha história por conter tantos enredos que não são os mais bonitos, perdoar a minha tragetória por não avançar, progredir como eu sonhei. Todo esse movimento que é particular, interior, tem repercutido muito na forma como tenho continuado a navegar.

Hoje navego rumo ao cais das descobertas, e a mais importante delas tem sido a interior, que revela o que guardo dentro de mim. Nesse caminho descobri que o melhor que posso fazer é me ouvir, me observar, tentar entender quem sou, o que quero e sobretudo me perdoar, olhar com carinho e amorosidade para mim, para que assim eu consiga estar mais em paz comigo e possa olhar com a mesma amorosidade para todos que cruzam o meu caminho, sem julgamentos, mágoas ou ressentimentos.

Feliz páscoa e que seja vivido o perdão em mim e em você todos os dias.

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