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  • Carla Porto

Liberdade

Atualizado: Set 9

Ao longo da vida somos instigados e estimulados pelos nossos sentidos, desde os cheiros que afagam o olfato até as músicas que encantam a audição e embalam os momentos que se eternizam. Quem de nós não lembra de uma canção que nos remete a infância ou a uma experiência feliz?

No Maranhão, meu Estado de origem, o reggae é parte da cultura musical, embora na minha cidade natal, Passagem Franca, essa influencia não seja tão presente, desde muito cedo fui apresentada a esse gênero musical. Assim como a música Bob Marley, sua figura símbolo, surgiu na minha vida carregando o peso do preconceito e da desinformação que me fizeram crescer pensando nele como uma figura marginalizada.

O preconceito nos priva de conviver com a beleza e a diversidade das nossas influencias culturais, da nossa história, nos apresentando imagens distorcidas do real. A minha relação com a musicalidade de Bob Marley mudou no instante em que conheci a canção "Redemption song", o que aconteceu em um momento de distração, assistindo a um programa britânico (TheX Factor UK) onde uma italiana Marianna Zappi, vítima de um relacionamento abusivo, cantou Bob Marley lindamente, apresentando toda a sua felicidade por estar livre.

A história dessa mulher e especialmente a canção me tocaram de uma forma que não posso explicar. Além da beleza da melodia a mensagem trazida pela letra falou tanto comigo, expressou todo o meu anseio por liberdade, vivido em todos os meus dias. Naquele momento entendi que ser livre não significa não está encarcerado, ser livre é muito mais, é o que eu sempre busquei.

Como a música diz "Ninguém além de nós pode libertar a nossa mente". Essa é de fato a pior de todas as prisões, a prisão mental. Quantos de nós vivem aprisionados pela ignorância, pelo medo, pela vergonha, pela tristeza, pela falta de confiança e de amor próprio.

Desde aquele dia sempre que me sinto pressa lembro dessa canção e quando a ouço sinto a mesma emoção, uma emoção de libertação. A minha busca pelo autoconhecimento, pela informação, pela vivência pacífica com as minhas emoções é a minha canção de redenção, a minha canção de libertação.

Não somos mais escravos como aqueles libertos pela lei Áurea mais a maioria de nós continuam escravos da mente. Emancipar-se da escravidão mental é uma tarefa para a vida e a cada dia sinto de forma mais intensa a necessidade de viver essa liberdade.

Quais são suas prisões? Quem tem a chave da sua cela?

Sejamos livres.









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