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  • Carla Porto

Sensibilidade

Atualizado: Mar 28

Perceber quem de fato somos nem sempre é um processo agradável e satisfatório. Humanos, cheios de racionalidade, de complexidade, de particularidades. Mergulhar nesse oceano é mesmo assustador, mas para mim a nossa capacidade de sentir e elaborar esses sentimentos é o que nos torna, essencialmente, humanos.

Ouço sempre que precisamos nos permitir, nos entregar, viver o agora, e me pergunto o que de fato isso significa. Viver o agora não seria sentir? Não seria deixar fluir o que temos de mais particular, sem impor barreiras ou restrições?

Nos dias em que vivemos, onde tantos medos, incertezas, inseguranças, são impostos pela possibilidade de adoecer, de morrer, de deixar de existir, tenho me perguntado: quantas pessoas não perderam a capacidade de sentir, de se sensibilizar e passaram a viver apenas para garantir o existir?

Talvez o medo seja o principal obstáculo na busca pela verdade de quem somos e do que nos sensibiliza. Medo de enfrentar as nossas fragilidades, as nossas vulnerabilidades, os nossos equívocos. Esse enfrentamento é o preço que pagamos para sentir a verdade de quem somos e a maioria de nós não está disposto ou mesmo preparado para enfrentar a verdade.

Nos últimos dias tenho pensado muito a respeito da minha intensidade, da minha necessidade de sentir para me perceber viva, livre. Talvez os meus excessos sejam frutos de um longo período de sufocamento, de negação dos sentimentos. Hoje, me dei conta de que sentir, mesmo sendo um processo doloroso, confuso e perturbador, é o que faz de mim ser quem eu sou, de verdade, e é também o meu grande desafio. Aceitar a pessoa que sou, sem me julgar ruim por está aprendendo a lidar com os meus sentidos, sem tentar me enquadrar, me conformar, sem me condenar ao sufocamento por me considerar inadequada, é a minha batalha e terei que enfrenta-la, afinal todos temos nossas batalhas.

Ser prisioneiro é triste, um tormento, mas se tornar livre é também doloroso, desafiador e um grande aprendizado, talvez o maior dessa vida. Esperar compartilhar essa jornada talvez seja, também, um equívoco, haja vista que cada cativo tem seu tempo para encontrar a liberdade e essa é uma estrada que temos que trilhar sozinhos, nos permitindo apenas os encontros que a caminhada vai nos proporcionando e nos perdoando pelos tropeços causados pela ânsia da chegada.

O medo de ser considerada louca, vulnerável, boba, errada, confusa, exagerada, é uma constante, a busca por aceitação também. Porém, no fundo estou mais consciente de que de certa forma sou tudo isso mesmo, mas acima de tudo sou um aprendiz, com um desejo infinito de ser melhor para mim e para os outros.

O que posso dizer mais? Não sei se expressar os meus sentimentos é bom, é certo, principalmente porque ainda estou entendendo cada um deles. Não sei se escrever nesse blog e me deixar tão a mostra é mesmo o melhor caminho. Não sei de tantas coisas, mas continuo aqui aprendendo e me permitindo sentir sempre.



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